Lilian Cristina Monteiro França concorre na categoria “Arte” com obra resultado de uma pesquisa de dois anos de duração
“Eu me sinto premiada, de fato”, disse a americanense Lilian Cristina Monteiro França, 60, semifinalista da primeira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Ela concorre na categoria “Artes” com o livro “História do cinema em dispositivos móveis: do celular ao smartphone”, resultado de dois anos de pesquisa.
O Prêmio Jabuti é a maior premiação literária nacional. Idealizado pela Câmara Brasileira do Livro, há 66 anos reconhece e homenageia notáveis contribuições de autores, projetos e profissionais envolvidos na produção da literatura.
Agora, em 2024, a premiação se expandiu para uma nova versão, que se concentra exclusivamente em obras acadêmicas, científicas e profissionais.
A obra da americanense foi inscrita no Prêmio Jabuti Acadêmico pela própria autora e enviada a uma banca avaliadora, que a selecionou como uma das 10 semifinalistas. A próxima etapa é a possível consagração como finalista, resultado esse que será divulgado nesta quinta-feira, dia 18.
Caso Lilian seja selecionada, ela segue para uma cerimônia, onde um autor de cada categoria será premiado e homenageado com uma estatueta. A etapa final ocorrerá no dia 6 de agosto. “Não há como a gente não ficar feliz quando tem um trabalho reconhecido. Foi um trabalho bastante árduo de pesquisa, de revisão, busca e editoração”, disse a também professora.
“História do cinema em dispositivos móveis: do celular ao smartphone” é resultado de uma pesquisa realizada por Lilian em uma missão junto a Universidade da Beira Interior, em Portugal, na qual foi professora pós-doutoranda em Media Artes/Cinema.
A obra retrata como o cinema mudou com o surgimento dos celulares e, posteriormente smartphones, e como todos passaram a fazer filmes por meio dos aparelhos. Além disso, remonta a história das produções feitas a partir dos dispositivos móveis.
O interesse pela temática surgiu após a professora ter escrito um livro sobre webdocumentários e narrativas. Lilian aponta que a história do cinema feito por dispositivos móveis é incompleta.
“Então o livro faz um levantamento desde o primeiro filme feito por celular […] até o ano de 2023. É possível verificar a evolução”, contou a pesquisadora.
Lilian exemplifica o avanço com a primeira produção feita a partir dos dispositivos, o Speech Marks (2004), de Steve Hawley. Como os celulares eram simples e capturavam imagens com pouca qualidade, os diretores utilizavam um tipo de linguagem que incorpora esse tipo de “precariedade”. Hoje, as produções usam tablets e os mais diferentes tipos de telefones celulares.
O iPhone é o modelo que ganhou “força” neste mercado por ser considerado preparado para a realização de filmes.
“O que eu considero mais interessante neste livro é que, tanto na versão impressa quanto na digital, ele tem uma análise de cada filme e um QR Code”, contou. A obra reúne uma coletânea de 87 produções.
O código direciona o leitor à obra em questão ou a trechos de making off, no caso daqueles que não estão disponíveis gratuitamente. “Então é possível você ao mesmo tempo ler a história e assistir aos filmes que estão relacionados no livro”.
“História do cinema em dispositivos móveis: do celular ao smartphone” está disponível para compra em
www.clubedeautores.com.br.
Trajetória. Lilian Cristina Monteiro França nasceu e viveu em Americana até os 30 anos. Se formou em Matemática pela PUC-Campinas, fez pós em Educação pela Unimep e doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC-São Paulo.
Se mudou para Sergipe quando passou em um concurso para o curso de Comunicação Social da universidade federal do Estado e lá reside desde então. A professora e pesquisadora ainda fez pós-doutorado em História da Arte, pela Unicamp.
Atualmente pesquisa na área de convergência entre Artes, Tecnologia e Comunicação, com ênfase em Jornalismo online, Twitter, Paywall e mídias digitais. Está desenvolvendo um projeto junto com a City
University of New York na área de “Digital Stories”
Por Stela Pires – Liberal